Pular para o conteúdo principal
Estelita Cristo
Todos os artigos

Mães atípicas

Mães atípicas não podem continuar adoecendo em silêncio

Quem cuida sem parar também precisa de rede, e rede é política pública

O cuidado de uma criança com deficiência recai quase inteiro sobre uma pessoa, quase sempre a mãe. Isso não é destino, é ausência de política.

Estelita Cristo18 de julho de 2026atualizado em 27 de julho de 20261 min de leitura

Existe uma jornada que não aparece em estatística de trabalho, não conta para aposentadoria e não tem hora de terminar. É a jornada de quem cuida.

A conta que ninguém soma

Uma criança com deficiência precisa de terapia, de transporte para a terapia, de escola que cumpra o plano de atendimento, de remédio, de laudo renovado, de fila de espera acompanhada. Cada um desses itens é um telefonema, um documento e uma tarde inteira.

  1. Terapias em dias e endereços diferentes, quase nunca no mesmo turno.
  2. Renovação de laudo que exige a mesma consulta que demorou meses para sair.
  3. Escola que aceita a matrícula mas demora a chamar o apoio.
  4. Trabalho formal que não sobrevive a essa agenda.

Some tudo e o resultado é previsível: a pessoa que cuida sai do mercado de trabalho, perde renda, perde rede social e adoece. Depois é chamada de dedicada.

Chamar de amor o que é sobrecarga é a forma mais barata de não resolver.

O que já existe e não chega

A Lei Brasileira de Inclusão garante apoio na escola. O Benefício de Prestação Continuada existe. A rede de saúde tem previsão de atendimento. Nada disso é novidade. O problema é a distância entre o texto e o balcão.

Cuidar de quem cuida

Rede de apoio não é grupo de WhatsApp. É atendimento agendado no mesmo dia e no mesmo lugar, é acompanhamento de saúde mental para o cuidador, é transporte garantido, é escola que cumpre o que assinou.

Enquanto isso não vira rotina, a conta continua sendo paga em silêncio, por uma pessoa só, dentro de casa.

“Ninguém cuida bem de alguém enquanto está sozinho para cuidar.”

Estelita Cristo

Estelita CristoQuem ama cuida.

Para continuar lendo

Todos os artigos
  • Inclusão1 min

    Inclusão não é favor, é direito

    A lei diz que a escola tem que receber. A prática ainda faz a família pedir. Essa diferença tem nome, e o nome é descumprimento.

    10 de julho de 2026

    • inclusão
    • LBI
    • direitos