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Estelita CristoDeputada Estadual · 70771
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Escuta popular

Escutar também é uma forma de cuidar

O que muda numa escola quando alguém para de responder e começa a perguntar

Escuta não é gentileza institucional, é método. Quando a rede pública escuta antes de decidir, o dinheiro vai para onde a falta dói de verdade.

Estelita Cristo25 de julho de 2026atualizado em 1 de setembro de 20262 min de leitura

Toda escola tem uma reunião de pais que ninguém quer. A pauta chega pronta, o tempo é curto, e a fala das famílias vira o último item, aquele que some quando a reunião atrasa.

Passei mais de três décadas em salas assim, dos dois lados da mesa. E aprendi uma coisa incômoda: quase toda decisão ruim que vi tomar em educação foi tomada por gente bem-intencionada que não tinha perguntado nada a ninguém.

Escuta não é enquete

Existe uma confusão comum entre escutar e consultar. Consultar é oferecer três opções que já estavam decididas. Escutar é aceitar que a resposta pode mudar a pergunta.

  • Consultar pergunta qual reforma fazer primeiro. Escutar descobre que o problema não é reforma, é transporte.
  • Consultar pergunta o melhor horário da reunião. Escutar descobre que a mãe trabalha em turno e nunca vai poder ir.
  • Consultar pergunta se o material agradou. Escutar descobre que ele nunca chegou.

O que a escuta encontra

Quando a escuta acontece, o que aparece raramente é o que estava no formulário. Aparece o ônibus que não passa na estrada de terra quando chove. Aparece a criança com laudo esperando apoio desde março. Aparece a professora comprando material com o próprio salário e sem contar para ninguém.

Direito não é favor, e escuta não é simpatia.

Escutar custa tempo, não dinheiro

Esse é o ponto que costuma travar a conversa com a gestão. Escuta bem-feita não exige orçamento novo, exige agenda. E agenda é a coisa que gestor tem mais dificuldade de ceder, porque cedê-la significa admitir que não sabia.

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.
Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia (1996)

A escola que escuta não vira perfeita. Ela vira honesta. E é de honestidade que a educação pública brasileira está com mais falta, não de plano.

Quem escuta descobre que quase nunca falta vontade. Falta alguém perguntar.

Estelita CristoCuidar de quem cuida!

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