Há um trabalho que não tem ponto, não tem férias, não tem salário e quase nunca tem nome. É a mulher que acorda antes do dia clarear para deixar o café pronto, leva o filho à escola, passa na casa da mãe para o remédio do meio-dia, liga para o tio que mora sozinho e ainda encontra tempo, ou rouba tempo de si mesma, para segurar a casa em pé. Essa mulher é filha, é mãe, é sobrinha, é vizinha. Ela é, antes de tudo, a rede invisível que sustenta o país. E o país, até hoje, não teve a decência de sustentá-la de volta.
A música brasileira já cantou essa engrenagem entre gerações: a ideia de que os filhos repetem o gesto dos pais e, um dia, se tornam espelho de quem antes cuidava deles um ciclo que se fecha e se abre outra vez, geração após geração. É esse ciclo que hoje pesa, de forma desproporcional, sobre os ombros femininos. E é esse ciclo que a política brasileira insiste em fingir que não vê.
O Brasil que envelhece sem plano e sem vergonha; Os números não mentem: em poucas décadas, o Brasil deixou de ser um país de crianças para se tornar, rapidamente, um país de idosos. A expectativa de vida ao nascer, que era de pouco mais de 45 anos em 1940, hoje ultrapassa os 76 anos. Em 2022, para cada 100 crianças e adolescentes, já havia 80 idosos, um salto brutal diante dos apenas 12 idosos para cada 100 jovens registrados em 1970. As projeções são claras: ainda nesta década, o Brasil terá mais pessoas idosas do que crianças pela primeira vez em sua história.
Vivemos mais. Isso é conquista. Mas conquista sem planejamento vira fardo, e o Estado brasileiro empurrou esse fardo inteiro para dentro de casa. Não existe política de Estado para o envelhecimento à altura da realidade demográfica que já está batendo à porta. Existe omissão. E omissão, em política, tem nome:
O retrato da vida real, abordado na novela "Quem Ama, Cuida", da Rede Globo, trouxe para a sala de todo brasileiro um debate que a política evita: o que significa envelhecer neste país, e quem paga o preço emocional, financeiro e físico desse envelhecimento? A ficção expôs, com sensibilidade, dilemas que milhões de famílias vivem em silêncio a exaustão de quem cuida, a solidão de quem é cuidado, a culpa, o cansaço, o amor que resiste mesmo quando falta rede de apoio. A dramaturgia fez o que o poder público se recusa a fazer: colocou luz onde a política mantém sombra proposital.
Um estatuto que existe no papel, mas foi abandonado na prática. Completamos mais de duas décadas do Estatuto do Idoso. Um marco legal importante, que reconhece no papel o direito à dignidade, ao respeito, à convivência familiar e comunitária, à proteção contra negligência e abandono. Mas entre a lei e a vida real, abriu-se um abismo que o poder público finge não enxergar. Filas humilhantes para atendimento. Unidades de saúde despreparadas para o cuidado geriátrico. Instituições de longa permanência sem fiscalização adequada. Transporte público hostil aos corpos que envelhecem. Ausência quase total de suporte psicológico e financeiro para quem cuida em casa. O Estatuto do Idoso não fracassou como texto ele foi abandonado como prática de Estado, e isso é uma escolha política, não um acidente.Um estatuto que existe no papel, mas foi abandonado na prática. Completamos mais de duas décadas do Estatuto do Idoso. Um marco legal importante, que reconhece no papel o direito à dignidade, ao respeito, à convivência familiar e comunitária, à proteção contra negligência e abandono. Mas entre a lei e a vida real, abriu-se um abismo que o poder público finge não enxergar. Filas humilhantes para atendimento. Unidades de saúde despreparadas para o cuidado geriátrico. Instituições de longa permanência sem fiscalização adequada. Transporte público hostil aos corpos que envelhecem. Ausência quase total de suporte psicológico e financeiro para quem cuida em casa. O Estatuto do Idoso não fracassou como texto ele foi abandonado como prática de Estado, e isso é uma escolha política, não um acidente.
Chega de Sobreviver, é Hora de Lutar por Direito! É por isso que hoje trago um projeto “Cuidar de quem Cuida”: para transformar a dor de quem cuida em pauta, e a pauta em lei. Chega de tratar o cuidado como obrigação silenciosa e invisível de mulher. Chega de esperar que a boa vontade de uma filha, de uma sobrinha, de uma vizinha, substitua a responsabilidade que é do Estado. Três projetos concretos vão nortear essa luta, e eu vou brigar por cada um deles:
- 1. Lei do Cuidador Familiar: reconhecimento formal e imediato da função de cuidador familiar, com direito a licença remunerada, capacitação gratuita e prioridade em programas de assistência social e saúde mental para quem exerce esse papel, majoritariamente mulheres. Quem cuida não pode continuar invisível para o Estado.
- 2. Programa Estadual de Apoio à Longevidade com Dignidade: criação de centros-dia intergeracionais nos municípios, oferecendo suporte diário aos idosos e alívio real de jornada às famílias cuidadoras, integrado à rede de saúde e assistência social. Cuidar não pode ser sinônimo de adoecer.
- 3. Fiscalização e Humanização das Instituições de Longa Permanência: lei que estabelece padrões mínimos de dignidade, humanização e respeito nas instituições que abrigam idosos, com fiscalização periódica, canal de denúncia acessível e participação de conselhos municipais do idoso na supervisão. Nenhum idoso brasileiro pode ser depositado e esquecido.
Não se constrói um país justo sem antes reconhecer quem sustenta suas famílias na base. Não se fala em desenvolvimento sem antes garantir dignidade a quem chegou à velhice depois de uma vida inteira de trabalho e entrega. Eu não vou pedir licença para defender essa pauta eu vou brigar por ela. É este o compromisso que carrego, e que resumo na frase que guia nossa candidatura: